Bossa Nova, Johnny Alf  (ESPORTE & CULTURA) escrito em sexta 05 março 2010 07:22

 

O músico Johnny Alf, um dos precursores da bossa nova, morreu na tarde desta quinta-feira (4), em Santo André (SP). O artista estava internado no Hospital Estadual Mário Covas, onde passava por tratamento contra um câncer na próstata.

Alfredo José da Silva (Jonhnny Alf) nasceu em 19 de maio de 1929, no Rio de Janeiro, e iniciou os estudos de piano ainda criança. Na adolescência, se interessou pelo jazz, pelo cinema e pelas músicas de Cole Porter e George Gershwin. Seu apelido foi dado por uma amiga americana.

No início da década de 50, Alf formou seu primeiro grupo musical no Instituto Brasil-Estados Unidos. Logo depois, uniu-se a Dick Farney e Nora Ney apresentando-se na noite carioca e nas rádios. Dessa época são as composições "Estamos sós", "O que é amar", "Podem falar" e "Escuta", que apareceram no disco de Mary Gonçalves "Convite ao romance", de 1952, e ajudaram a lançar a carreira de Alf.

Em 1955, lançou "Rapaz de bem" e "O tempo e o vento" em um compacto que foi considerado o primeiro disco da bossa. "Chega de saudade", de João Gilberto, só apareceria três anos depois. Segundo o escritor Ruy Castro, Alf é "o verdadeiro pai da bossa nova".Tom Jobim, outro pioneiro da bossa, costumava chamá-lo de "Genialf".

Na segunda metade da década de 1950, Alf mudou-se para São Paulo, dividindo as noites com nomes como o grupo Tamba Trio, de Sérgio Mendes, Luís Carlos Vinhas e Sylvia Telles. Em 1967, apresentou a música "Eu e a brisa", uma de suas mais conhecidas, no III Festival da Música Popular Brasileira em 1967, da TV Record.

Uma das últimas aparições de destaque do pianista aconteceu na exposição “Bossa na Oca”, em São Paulo, em 2008. Na mostra que homenageava os 50 anos do estilo musical que projetou o Brasil mundialmente, Alf teve um encontro virtual com nomes como Tom Jobim, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald e Stan Getz. O artista tocava piano com as projeções dos colegas, já mortos, para um filme que foi exibido ao longo do evento.

Ele ficou muito emocionado quando viu o resultado, os olhos encheram d´água”, conta o curador da exposição, Marcello Dantas. “Ele falava pouquinho, em decorrência de um derrame que havia sofrido pouco tempo antes. Mas o semblante dizia tudo, não era preciso palavras”.

Para o curador, Alf, que morreu sem deixar parentes e vivendo em um asilo na Grande São Paulo, foi desvalorizado pela memória do país. “É o caso clássico do artista que não teve o reconhecimento a altura de seu talento. E Alf foi um gênio, teve participação na história da nossa música”.

Via GLOBO News

PS: Não encontrei, mesmo existindo mais de 1.300 exibições publicadas no YOU TUBE desta música (Eu e a Brisa), nenhuma delas originalmente cantada por Johnny Alf. Então, preferí postar a versão na voz do imortal Tim Maia. Um povo sem memória, sem a cultura de preservar seus talentos, não existe como civilização . . . foi só um monte de gente que existiu por uns tempos! Isso é o Brasil . . .

Desafio meus leitores nascidos após 1980 a me desmentir aqui, afirmando conhecer QUALQUER obra de Johnny Alf.

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