O Fim do Mundo  (REALIDADE INVENTADA) escrito em segunda 23 novembro 2009 09:42

Estava anunciado para o início do terceiro milênio, mas como nada aconteceu além de bugs em computadores, uns terremotos e alguns "tsunamis", os cavaleiros do apocalipse trataram logo de arrumar outra data.
A data agora é 2012 e uma suposta lenda "maia" é a fonte do dia anunciado para o fim do mundo. O QU4TRO foi conferir, valendo-se do seu inquestionável "tunel do tempo".

Chegando às portas do purgatório, encontrei uma "desorganização" funcional. Religiosos representando desde seitas até Sua Santidade, faziam a triagem de todos. Atarefado, um padre conhecido me dedicou pouca atenção quando quis saber sobre uma certa garota, seus familiares e o namorado. Apontou para um outro portão, onde percebí que as pessoas vêm direto de uma procissão do Círio de Nazaré.

Estavam todos lá; ela até me acena e tenta me indicar o caminho que devo seguir: - Portão vermelho! Você é no portão vermelho! Ela grita!
Logo atrás dela uma turma grande, muito organizada e ordeira, segue em fila indiana sob os cuidados de professoras dedicadas. Uma delas sorri e me abana um "tchau" com a mão. Mas logo depois volta a se concentrar na turminha uniformizada onde um pequeno grupo faz peripécias e precisa ser contido.

Vou em direção ao portão vermelho mas depois de uns poucos passos, encontro quadrigêmeos que não conheço, abraçados a um garoto com cabelo de "principe valente", como que à consolá-lo. Eles choram copiosamente; ele, apenas soletra: q-u-a-d-r-i-g-ê-m-e-o.

Passando pelo portão cor-de-rosa, poetisas, poetas, artistas, solteiras em geral e até casadas com ramalhete de flores nas mãos, são colocados em fila por uma garota bem vestida, uma princesa, por assim dizer. Sou recebido com alegria contida, afinal aquilo era o fim do mundo, não uma festa. Mas pelo menos uma delas veio correndo e deu uma beijoca na minha bochecha; dizendo: - Parece um sonho!

Outra mordia uma maçã e oferecia aos demais enquanto outra mantinha-se afastada, com ar superior e independente. Algumas anotavam tudo que viam, pareciam escrever um diário. De uma outra ganhei biscoitos e uma latinha com metade de Coca-Cola Light. Mas todas elas estavam ganhando uma arpa dourada logo que entravam e anjos loiros logo se apressavam em ensinar os primeiros acordes. Um deles, entretanto, era moreno; com ar desairoso e mais interessado em escrever resenhas.

Homens e mulheres, de todas as idades, entravam, enfim, por portões coloridos cujo significado não tive como apurar. E porque eu deveria me apresentar no vermelho? Logo esse, o mais lotado!

Com alguma dificuldade, dada a grande multidão que se aglomerava defronte ao portão, fortemente protegido por anjos negros; pude ver um misto de homem e bode, que parecia ter ido a praia sem protetor solar e que estava colocando todos pra dentro sem a organização dos demais portões. Alguem até protestou que estava apenas passando por ali em direção ao farol, mas ele empurrou pra dentro e disse aos seus ajudantes: - Essa é nossa ultima chance, não percam ninguém!

Neste tumulto resolvi conhecer outros portões adiante e cheguei à um praticamente vazio, onde encontrei um senhor que me recebeu com indisfarcável sorriso e uma frase carinhosa: - Bem-vindo meu filho, vamos entrar?
- Mas disseram que eu tenho que me apresentar no portão vermelho, só estou esperando ficar menos tumultuado; respondi.
- Aqui você pode entrar, se quiser! Depois você decide para onde vai passar a eternidade.
Dado a oferta, resolvi entrar. Nada tinha a perder.

Estava aparentemente tranquilo ali, parecia uma repartição pública. Algumas "asas" estavam nas cadeiras mas os respectivos anjos não eram vistos por perto. Havia uma pequena aglomeração numa nuvem de canto, onde pude ver uma máquina de café e alguem entregando pão de queijo.

Mais a esquerda, uma nuvem grande trazia uma placa antiga onde se lia "Governo Divino" e alguns anjos conversavam logo na entrada. Aproximei-me deles e perguntei: - Que lugar é esse?
- Aqui é onde fica o Senhor!

- Hummmmm! E Ele está?
- Sim! O senhor tem hora marcada?
- Os "maias" disseram que sim, mas eu não sei ao certo; respondi.
- Ahhh! Entendo! Vamos ver se Ele pode receber . . .

E me acompanhou até o interior da nuvem, onde tudo parecia ser a maior tranquilidade; não fosse o aparente ritmo frenético das imagens que transmitiam a entrada dos portões em telões de HDTV, dispostos em ambos os lados dos corredores por onde passamos.Chegamos em uma espécie de ante-sala, onde a placa indicava em inglês o "cargo" de seu ocupante: The Son!

O anjo que me trouxe até ali, falou alguma coisa no ouvido dele. Estava pensando que talvez ele estivesse bastante atualizado com seus longos cabelos e a barba bem aparada, parecendo mesmo um ídolo roqueiro dos nossos tempos. Para quem tem mais de 2.000 anos ele estava bem conservado.

 Ele espiou por sobre os ombros do anjo e recebi uma indicação, feita com a mão, para me aproximar. - Sr. QU4TRO! O senhor não deveria estar se apresentando no portão vermelho? Aqui no seu twitter diz que o senhor agora só poderia ser encontrado por lá.

- Sim! Eu disse. - Mas um outro senhor me convidou a conhecer este portão e disse que eu poderia, depois, escolher onde passar a eternidade. Então resolvi fazer uma visita pra vocês.

- Certo! Hoje estamos muito ocupados aqui, o senhor compreende; mas não queremos deixar de atende-lo. Por isso, vou leva-lo ao Senhor mas espero que compreenda que não haverá muito tempo para conversarem. Peço que seja breve e deixe suas questões mais polêmicas para discutir comigo em outra oportunidade.

- Como o que, por exemplo? Perguntei.

- Como suas afirmações de ontem a noite, dizendo que aqui nós torcemos pelo time de Paulo.

Esta informação me deixou preocupado. Isso significa que "Eles" tudo vêem, mesmo. E ouvem também! Mas que aquele goleiro do Goiás estava ontem sob proteção divina, isso ninguém me tira da cabeça. Agradeci a gentileza e ele me tomou pelo braço, seguindo em direção a uma nuvem ainda maior, toda iluminada, onde a placa também em inglês indicava: "The Father".

Foi incrível! Praticamente todos os Seus representantes na Terra estavam lá. Não havia um clima de discussão, eles conversavam entre sí e pareciam unidos. Através dos telões eles acompanhavam os acessos de todos os portões e me preocupou que a fila do vermelho só fazia aumentar. Agora cães amestrados faziam a segurança da multidão, ninguém conseguia se afastar do portão. Pensei na sorte que tive de conseguir passar por lá e não ficar preso naquela situação.

- Sr. QU4TRO? Alguém me chamou.
- Sim! Estou aqui; respondi.
- Venha! Ele vai recebê-lo agora.

Entrei por um portal imenso, onde a temperatura era amena e um aroma de lavanda dominava o ar. Ele dava ordens diretamente aos responsáveis pelos portões e pareceu preparar uma ofensiva contra os cães de guarda do portão vermelho. Pensei ouvi-lo dizer: -  . . . e temos que resgatá-los das garras do "Demo" antes que seja tarde.

Largou tudo quando me viu entrar e veio em minha direção. - QU4TRO! Que bom que está aqui, preciso da sua ajuda!

- Jura? Disse; quase entusiasmado.

- Juro por Mim mesmo! Ele disse.

- O que posso fazer? Perguntei.

Ele narrou sua idéia: "Estavamos sabendo desse momento, mas de qualquer forma mais de 6 bilhões, tudo ao mesmo tempo, sempre causa um pequeno tumulto. Nada que não possamos controlar, mas o problema está na "concorrência", está se aproveitando dos ingênuos e levando mais gente pra lá do que previmos anteriormente. Quero que você faça alguma coisa para atrai-los pra cá!"

- Mas Senhor? O que posso fazer? Não sei . . .
- Invente alguma coisa! Algo que chame a atenção deles e faça-os ver que "aqui" é melhor, é o lado certo, além de ser mais fresquinho, clima mais estável . . .
- Quanto tempo eu tenho?
Perguntei!
- Imediatamente! Ele disse.

Voltei a questionar sobre minha competência para fazer aquilo, mas Ele disse que viu a garota se declarar flamenguista, mesmo que provisoriamente.

- Quem consegue fazer de uma palmeirense, flamenguista; pode qualquer coisa! Ele disse!

Pensei em "como fazer" e o "que fazer", afinal, minha experiência na terra mostrava que nem o SUS conseguia atrair mais ninguém, fazendo atendimento médico gratuíto. No SUS os "pacientes" tornaram-se "impacientes" devido a demora no atendimento.

Como eu faria para concorrer com o Cramunhão e atrair mais gente para o lado de . . .
- Espera aí; pensei! Mas como vou fazer isso se eu mesmo irei depois pra lá? Se eu atrair as moças pra cá, por exemplo, lá só vou encontrar homens e  . . .
- Senhor! Eu disse: Acho que tenho uma idéia!
- Diga! O que vai fazer?
- Vou escrever um blog!

Mas nem o Senhor conseguiu me ajudar. Acho que o Blogorama é uma empresa dos infernos. Coisa do Diabo isso aqui!

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