Matéria
assinada pelo jornalista Luciano Martins Costa
(Observatório de Imprensa), muito bem clipada para nosso
conhecimento e reflexão, dizendo que:
Os leitores de jornais
brasileiros vão passar alguns dias imaginando que o Brasil mudou de
um dia para outro: nas mesmas edições de sexta-feira (5/3), a
imprensa registra três fatos que atendem ao chamado clamor
público:
1. Por 9 votos contra 1, o Supremo
Tribunal Federal decidiu manter na cadeia o governador licenciado
do Distrito Federal, José Roberto Arruda;
2. Por 4 votos a 1, o Superior Tribunal
de Justiça reabriu os processos contra o banqueiro Daniel Dantas e
seus associados;
3. No Rio de
Janeiro, a Justiça bloqueou os bens do casal de ex-governadores
Anthony Garotinho e Rosinha Matheus, em processo que envolve ainda
a família da atriz Déborah Secco.
As três
decisões, obviamente tomadas com base na análise fria da
jurisprudência e dos fatos, não significam necessariamente que
houve alguma mudança no comportamento do poder
Judiciário.
Nem se
deve concluir, pelo potencial de produzirem algum impacto na
opinião do público, que o Judiciário passou a tomar decisões com
base no que dizem os jornais.
Apenas se
deve observar que, no conjunto, as três notícias dão conta de que
nem o poder financeiro de Dantas, nem o poder político de Arruda ou
o populismo do casal Garotinho são obstáculos quando a Justiça se
move.
Risco de
anulação
O pedido
de suspensão do julgamento de Daniel Dantas, acolhido em dezembro
por um desembargador do STJ, lançava suspeição sobre o juiz Fausto
Martin De Sanctis, que se celebrizou na Operação Satiagraha, em
2008, quando mandou o banqueiro para a prisão, de onde foi tirado
rapidamente por decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal,
ministro Gilmar Mendes.
Dantas já
foi condenado em primeira instância por De Sanctis, pela tentativa
de subornar um policial para que a operação Satiagraha fosse
arquivada. Os advogados do controlador do Banco Opportunity
alegavam parcialidade do juiz e queriam tirá-lo do
processo.
Se o
Supremo Tribunal Federal confirmasse o afastamento de De Sanctis,
todo o trabalho da Polícia Federal na investigação das atividades
do grupo Opportunity, iniciado em 2004, poderia ser
anulado.
Bens
bloqueados
A outra
decisão judicial que chama atenção foi tomada no Rio, após ação
civil pública movida pelo Ministério Público do
Estado.
Os
ex-governadores Anthony Garotinho e Rosinha Matheus são réus num
processo por improbidade administrativa que aponta o desvio de mais
de R$ 63 milhões de reais dos cofres públicos. De acordo com a
promotoria, o esquema foi montado com o repasse de R$ 410 milhões
para 14 ONGs subcontratadas, sem licitação, para o fornecimento de
mão de obra para a Fundação Escola do Serviço Público, entre 2003 e
2006.
Parte do
dinheiro teria sido desviada para empresas fantasmas, nas contas de
responsáveis por ONGs ou seus parentes, ou simplesmente sacada nos
bancos.
Segundo
os jornais, pelo menos duas empresas criadas especialmente para
lavar o dinheiro estão na lista de doadores para a campanha
eleitoral de Garotinho à Presidência da República, em 2006. No auge
da investigação, naquele ano, o ex-governador chegou a fazer greve
de fome. Desta vez, ele se defende através de seu blog, afirmando
que se trata de "armação eleitoreira", já que ele quer se
candidatar novamente ao governo do Rio.
Direitos
políticos
Já no
caso do governador licenciado do Distrito Federal, a notícia não
chega a surpreender. Depois de haver sido filmado recebendo
dinheiro de propina, de haver inventado a história dos panetones e
de haver tentado subornar uma testemunha para atrapalhar as
investigações, José Roberto Arruda cometeu o pecado mortal das
máfias: tentou envolver no escândalo seu antigo padrinho político,
o ex-governador Joaquim Roriz.
Há muitas
evidências de que Roriz também tem culpa no cartório, mas, como se
sabe no submundo da corrupção, isso não se faz.
Arruda
também recebeu no mesmo dia outra notícia desagradável: a Câmara
Distrital de Brasília decidiu aceitar, por 19 votos a 0, o pedido
de impeachment contra ele. O governador licenciado tem agora vinte
dias para apresentar sua defesa, e com mais dez dias do prazo para
o relatório final, ainda pode renunciar daqui a um mês e preservar
seus direitos políticos, mas é considerado carta fora do baralho do
poder.
Num só dia, três notícias de jornal e uma luz no
fim do túnel.
Eu sou um
maldito cético, que só vai festejar, ao contrário do jornalista,
quando tudo isso terminar. De verdade!
Mas a
dúvida é: ainda estarei vivo quando este dia
chegar?
Menos político e mais sentimental, aproveito
para mandar um grande abraço e um beijo carinhoso para todas as
amigas aqui do blog: Hoje é o Dia Internacional da
Mulher! Apesar do clichê não posso deixar de reafirmar:
aqui em casa TODO DIA é dia da mulher. Mas, como dizia Vinicius . .
. a linda! Só a linda! FELIZ DIA DA MULHER,
queridas!